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O Logos


"O Verbo se fez carne e habitou entre nós... e vimos a sua glória". (Jo 1:14)

o logoV = "a palavra" ou "o verbo"

Para o judeu ó logos teve um significado muito profundo, especialmente na criação e na pregação profética. No ato de criação a palavra de Deus era criativa: "Disse Deus: haja luz e houve luz... " (Gn 1:3); "Disse Deus: Ajuntem-se num só lugar as águas..." (Gn 1:9); "Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança..." (Gn 1:26).

Nas profecias, a palavra de Deus é a mensagem pela qual Deus comunica com o homem e especialmente com o seu próprio povo, como por exemplo: "Ora veio a mim a Palavra do Senhor, dizendo:" (Jr 1:4); "Veio a Palavra do Senhor a Ezequiel" (Ez 1:3); "Ouvi esta Palavra que o Senhor fala" (Am 3:1).

Para o grego, a palavra o logoV representava a verdade eterna atrás do universo organizado e harmonizando tudo quanto existe, verão e inverdo, tempo para plantar, tempo para ceifar, noite e dia, etc.

Durante seiscentos anos os judeus esperavam o cumprimento das profecias e a chegada final da palavra (tou logon).

Durante seiscentos anos os gregos debateram e argumentaram e, organizando as escolas de filosofia, discutiram a força atrás do universo (o logoV).

Agora, João está dizendo no começo do Evangelho "O Verbo se fez carne e habitou entre nós... e vimos a sua glória" (Jo 1:14).




kai o logoV sarx egeneto kai eslhnwsen en hmin, kai eqeasmeqa thn doxan autou, doxan wV monogenouV para patroV plhrhV caritoV kai alhqeiaV.

Mundo


“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”
(I Jo 2:15)


kosmoV = Mundo


João dá instruções sobre a atitude que o cristão deve adotar com relação ao mundo.

As vezes no Novo Testamento, a palavra mundo (kosmoV) significa universo (Jo 1:10). Outras vezes se refere aos seres salvos por Jesus Cristo (Jo 3:16-17).

Na primeira carta do apostolo João, a palavra mundo (kosmoV) se refere a vida da sociedade humana como organizada sob o poder do mal.

Em I João 2:15-17, o mundo é mencionado seis vezes e a sequência do pensamento é bem clara. O mandamento para não amar o mundo baseiam-se em dois argumentos:

- A incompatibilidade entre o amor pelo mundo e o amor pelo Pai (I Jo 2:15-16);

- A natureza transitória do mundo em contraste com a eternidade (I Jo 2:17).

Quando João diz, “não ameis o mundo e que no mundo há”, ele não está pensando do mundo de pessoas, pois no Evangelho ele diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Em I Jo 2:16, João fala do mundo com suas concupiscências:

- Concupiscências da carne – esta frase descreve a natureza pecaminosa do homem natural muitas vezes dominado pelos desejos da carne e apetite incontrolável como o apóstolo Paulo bem descreve em várias de suas cartas (Rm 1:22-32; Gl 5:19-21; I Co 6:9-11; II Tm 3:1-5);

- Concupiscências dos olhos:- descreve as tentações que vem através dos olhos, as quais cativam as pessoas e as levam ao pecado, como nos seguintes exemplos: Eva e o fruto proibido (Gn 3:6); Acã e os bens cobiçados (Js 7:21); e Davi e a mulher desejada (II Sm 11:2); e

- Soberba da vida – significa a arrogância ou vanglória e a palavra alazwn tem o significado de “pedante, jactancioso”. O apóstolo Paulo também adverte sobre esta tentação em Rm 1:30 e II Tm 3:2.

É provável que João construiu as três expressões para descrever as três tentações de Jesus ou ainda as três tentações do fruto proibido em Gn 3:6.

João afirma que o mundo está passando e suas concupiscências, mas aquele que fez a vontade de Deus permanece para sempre. (I Jo 2:17).

E João fala mais sobre o mundo:

- O mundo não nos conhece, porque não conhece Ele; (I Jo 3:1);

- “Não vos admireis irmãos se o mundo vos odeia” (I Jo 3:13);

- O mundo pertence ao anti-cristo (I Jo 4:3) e ao maligno (I Jo 5:19) e aos falsos profetas são do mundo (I Jo 4:1); falam com quem é do mundo e o mundo os ouvem. (I Jo 4:5)

O crente pode vencer pela sua fé em Jesus Cristo porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo. (I Jo 5:4).


No princípio



"No princípio era o Verbo eo Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus."
(Jo 1:1-2)


en arch


Os dois primeiros versículos do primeiro capítulo do Evangelho segundo João introduzem palavras e frases que expressam a forma simples, mas profunda, e a maneira do apóstolo apresentar a história de Jesus e a mensagem da Salvação.

As frases "no princípio" (en arch) e "do princípio" (ap archV) são típicas do apóstolo João no Evangelho e em sua primeira carta, como pro exemplo:

- en arch - "No princípio era o Verbo. (Jo 1:1);

- ex archV - Jesus sabia desde o princípio quem eram os que não criam" (Jo 6:24);

- ap arpchV -"Estais comigo desde o princípio" (Jo 15:27);

- ap archV - "O que era desde o princípio" (I Jo 1:1);

- ap archV - "Um mandamento antigo que tendes desde o princípio" (I Jo 2:7);

- ap archv- "Porque conheceste aquele que é desde o princípio" (I Jo 2:13-14);

- ap archV - "O diabo peca desde o princípio" (I Jo 2:8);

- ap archV - Esta é a mensagem que ouviste desde o princípio." (I Jo 3:11).

Não é por acaso que as mesmas palavras en arxhV são encontradas no livro de Gênesis. Quando os judeus falavam dos livros do Antigo Testamento eles sempre citavam as primeiras palavras. Gênesis era conhecido na LXX como "no princípio",

A profissão de Jesus


"Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão aqui entre nós suas irmãs? E, escandalizavam-se dele"(Mc 6:3)

tektwn

Téktôn = Carpinteiro ou Construtor (Mc 6:3)

No grego koiné, tektôn significa um “artífice” ou “construtor” em madeira, pedra ou metal. podia referir-se a qualquer profissão relacionada com a construção civil.

Em Mateus 13:55 - José e Jesus eram conhecidos como carpinteiros. Eram "trabalhadores sem trabalho fixo", faziam consertos aqui e ali, onde eram chamados.

Ser "tektôn" no império romano era humilhante. Os "tektôns" constituiam a classe mais inferior da sociedade na época. Pior que eles só a classe dos "dispensáveis" - (ladrões, mendigos, diaristas e escravos).

Se Jesus era carpinteiro, portanto, ele pertencia à classe dos artesãos, pequenos proprietários e comerciantes, cerca de cinco por cento da população da época, que estava abaixo dos camponeses em termos de classe social. Os artesãos estava entre o grupo dos camponeses e os degradados ou dispensáveis

Pode-se afirmar que Jesus foi pobre e lutou para sobreviver fazendo tabalho duro.

Pertencia a categoria dos considerados inferiores. Ele passou por humilhações e dificuldades.

Sacerdócio



“Também vós mesmos como pedras vivas, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo". (I Pedro 2:5)


A palavra grega “ierateyma”, traduzida como sacerdócio, tem dois significados. O primeiro é o serviço ou ministério do sacerdote, do grego “ierateia”. Esse significado da palavra grega é encontrado em Hebreus 7:14.

O segundo e mais importante significado é um corpo sacerdotal ou um corpo coletivo de sacerdotes, assim chamados porque tem acesso a Deus e oferecem sacrifícios, não externos mas "espirituais" (cf. Exôdo 19:6). São sacerdotes de categoria real, isto é, exaltados a uma posição e liberdade que os isenta do domínio de todos exceto Deus e Cristo.

A palavra grega ”ierateyma” usada nesse sentido está em I Pedro 2:5,9. Em Hebreus 7:14, a palavra grega “ierwn”, significa o ofício de um sacerdote. Mas a palavra para sacerdócio em I Pedro significa o corpo sacerdotal ou corpo de sacerdotes.

A casa espiritual não é o serviço sacerdotal, mas um corpo sacerdotal. É uma entidade corporativa. Os sacerdotes edificados juntos são a casa espiritual. O sacerdócio no Novo Testamento é diferente daquele mencionado no Antigo Testamento. No Novo Testamento, os sacerdotes edificados juntos são o tabernáculo. Eles são a casa espiritual. Na tipologia do Antigo Testamento é muito difícil colocar essas duas coisas juntas. Assim, em prefiguração, o tabernáculo e os sacerdotes são duas categorias de coisas. Na verdade, estas duas categorias prefiguram uma única coisa em dois aspectos, isto é, o edifício de Deus, que é o tabernáculo, a casa de Deus. Essa casa é edificada com os sacerdotes que são as pedras vivas. Quando somos edificados juntos, tornamo-nos um corpo de sacerdotes, e isso é o sacerdócio.

Justificação



"Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Romanos 5:1)


A palavra grega "dikaiwsiV" é traduzida como "justificação Rm 4:25, absolvição Rm 5:18", o que significa "o ato de Deus declarar certos homens isentos de condenação e aceitáveis a Ele"; também pode ser "o processo de absolvição"; o vocábulo origina-se da palavra "dikaiw" que significa "retamente; o ato de fazer justo e reto" O termo era aplicado aos cidadãos modelo no mundo greco-romano. Justificação é a ação de Deus em aprovar as pessoas de acordo com o Seu padrão de justiça.

A justiça de Deus é o padrão, não a justiça dos homens. A justiça de Deus é perfeita e ilimitada enquanto que a justiça dos homens é ínfima e imperfeita.

Mesmo que o homem seja correto e justo com todas as pessoas e intituições, sua justiça nunca o justificará diante de Deus. É possível ao homem justificar-se de acordo com seu padrão de justiça, mas isso não o capacita a ser justificado por Deus de acordo com o padrão Dele.

Justificação pela fé diante de Deus significa que somos aprovados por Deus de acordo com o Seu padrão de justiça. Deus pode justificar o homem porque a justiça é baseada na redenção de Cristo. Quando a redenção de Cristo é aplicada a nós, somos justificados. Se não houvesse tal redenção, seria impossível ser justificado por Deus. A redenção é a base da justificação.

Transformação




E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."(Rm 12:2)



As borboletas sofrem um processo de transformação conhecido como metamorfose. Essa transformação não é simplesmente uma mudança exterior. É uma mudança de seu metabolismo interior causada pela substituição de um velho elemento por um novo. É a mudança de um corpo que se arrasta preso as limitações de um pequeno espaço físico para um vôo livre e espaçoso.

O apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos usa a palavra grega “metamorfw”, metamorfose, que literalmente quer dizer "mudar de forma, transformar-se, ser transformado" para nos dizer que não devemos nos conformar com as limitações deste mundo mas, sim, nos transformar-nos pela renovação de nossa mente, para que possamos experimentar qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12:2).

Transformação é a essência divina vindo para dentro de nós para substituir o elemento humano caído, corrompido. somos humanos, mas os elementos divinos estão vindo para dentro do nosso ser para substituir nossa essência natural. É a isso que o Novo Testamento chama de transformação.

Nosso corpo diariamente passa por um processo metabólico através do comer e beber. Novos elementos entram e substituem os velhos. Tal processo se dá a novidade diária. Da mesma maneira devemos tomar Cristo para dentro de nós diariamente. É por isso que a Bíblia diz que Cristo é a nossa comida e bebída (Jo 6:35, 57; I Co 10:4). Cristo entrará em nos para ser novo elemento que substitui e elimina todas as coisas velhas (I Co 5:17).
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